Violência por parceiro íntimo contra mulheres em Belo Horizonte
perfil, distribuição territorial e limites dos registros policiais (2010–2023)
Palavras-chave:
violência perpetrada por parceiro íntimo; violência contra as mulheres; Polícia Civil de Minas Gerais.Resumo
A violência perpetrada por parceiro íntimo constitui um problema de segurança pública e de direitos das mulheres, cuja magnitude não pode ser apreendida integralmente por registros policiais, uma vez que a passagem da experiência vivida para a formalização da ocorrência envolve processos de reconhecimento, busca por ajuda, acesso institucional e classificação administrativa. O estudo analisa o perfil das mulheres presentes nos registros de violência perpetrada por parceiro íntimo da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) e sua distribuição territorial em Belo Horizonte entre 2010 e 2023. Foram analisados 179.753 registros, selecionados a partir do Registro de Eventos de Defesa Social (REDS), com cruzamentos entre tipo de violência e variáveis sociodemográficas, utilizando-se SPSS e Excel, além de análise espacial por bairro com Python. Os resultados indicam predominância dos registros de violência física (40,8%) e psicológica (39,1%), com diferenças na distribuição segundo escolaridade, faixa etária e raça/cor. Entre mulheres de 18 a 24 anos, a violência física correspondeu a 51,2% dos registros, enquanto entre aquelas com 55 anos ou mais predominou a violência psicológica (41,3%). Mulheres não brancas representaram 69% dos registros analisados. A distribuição territorial apresentou relativa estabilidade entre 2010 e 2023, com concentração persistente de registros em determinadas áreas. Conclui-se que os dados policiais permitem identificar padrões relevantes, mas devem ser compreendidos como resultado de um processo institucionalmente selecionado, cuja qualidade, abrangência e classificação condicionam o conhecimento produzido sobre a violência e o planejamento das políticas públicas.
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