Padrões empíricos do feminicídio no Distrito Federal
subsídios para estratégias preventivas de segurança pública
Palavras-chave:
feminicídio; violência de gênero; persecução penal; prevenção; segurança pública.Resumo
O artigo tem como objetivo analisar os padrões empíricos dos feminicídios consumados no Distrito Federal e discutir as limitações da resposta puramente repressiva frente à necessidade de estratégias preventivas de segurança pública. A metodologia, de abordagem quantitativa e descritiva, examinou 20 casos ocorridos entre junho de 2020 e junho de 2024 nas Regiões Administrativas de Ceilândia e Sol Nascente/Pôr do Sol, sob atribuição da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher II (DEAM II). Foram utilizados dados policiais e processuais, coletados junto aos sistemas oficiais da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) e do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), para mapear padrões de vitimização, perfis de agressores, dinâmicas temporais e espaciais, histórico de violência prévia e o desfecho da persecução penal. Os resultados revelam o predomínio de crimes no ambiente doméstico (75%), uso frequente de armas brancas (55%), elevado histórico de ocorrências policiais anteriores (45%) e expressiva celeridade na resposta policial (82% de prisões em até cinco dias), acompanhada do aumento gradativo das penas aplicadas. Conclui-se que o aprimoramento da resposta penal, embora célere e severo, atua de forma reativa e insuficiente para conter a escalada letal. Os achados fornecem subsídios empíricos para defender a urgência de modelos de gestão integrados e orientados por dados, a exemplo do Policiamento Orientado pela Inteligência (POI), voltados ao monitoramento proativo de agressores e à prevenção de novos crimes.
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