Quando a vítima se torna protetora
relato sobre violência vicária e segurança pública
Palavras-chave:
violência doméstica, violência vicária, autonomia, segurança pública, Patrulha Maria da PenhaResumo
A violência doméstica e familiar contra a mulher constitui uma persistente violação de direitos humanos e um desafio para as políticas de segurança e proteção social. Mesmo após o rompimento da relação afetiva, essa violência pode assumir novas configurações. Este artigo apresenta um relato de experiência técnico-reflexivo que articula a vivência pessoal da autora, sua atuação na Patrulha Maria da Penha da Guarda Civil Metropolitana de Campo Grande/MS e a literatura sobre gênero, violência doméstica e violência vicária, além da legislação relativa à proteção integral. O objetivo é refletir sobre o caráter continuado e multidimensional da violência de gênero, a reconstrução da autonomia e os aprendizados construídos na atuação especializada. O relato sugere que a ruptura conjugal pode encerrar a convivência sem necessariamente interromper dinâmicas de controle, que podem alcançar as relações parentais, econômicas e institucionais. Destaca também que filhos e outras pessoas atingidas pela violência vicária são sujeitos de direitos e podem sofrer diretamente seus efeitos. A reflexão indica que a experiência vivida, quando elaborada criticamente e articulada ao conhecimento técnico, constitui um conhecimento situado capaz de ampliar a sensibilidade profissional e contribuir para a escuta, a atuação em rede e as práticas de proteção.
Referências
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