Ensaio sobre a luta das ciências policiais no campo científico

um estudo comparado

Autores

Palavras-chave:

ciências policiais;, segurança pública;, ciência sistêmica.

Resumo

Este ensaio teórico objetiva apresentar as bases legais que propõe os fundamentos epistemológicos das Ciências Policiais como área do saber no Brasil, após seu reconhecimento pela Câmara de Educação Superior, do Conselho Nacional de Educação. A problematização se dá ao passo que traz referenciais comparativos de outros países, e sugere
sua classificação como ciência complexa, que ainda está em busca de seu lugar dentre os campos científicos dominantes nos espaços acadêmicos. A revisão bibliográfica e
documental balizou a metodologia utilizada. Os resultados salientam que o saber científico policial não deve se confundir com conhecimento popular ou técnico, pois trata-se de
uma ciência sistêmica, cuja produção do conhecimento decorre de métodos específicos. A
Segurança Pública (objeto de investigação científica) é um campo mais amplo, dentro do
qual as Ciências Policiais (somatória de saberes que partem da práxis policial e fonte de
conhecimento) faz parte. Conclui-se que é preciso olhar o policial como produtor qualificado de respostas ao problema; entretanto, é trabalho da comunidade científica policial
desvencilhar-se das amarras postas pelos dominantes do campo científico, estabelecendo
estrategicamente o rol de ciências auxiliares e delas os saberes específicos que devam
compor essa “nova” Ciência Policial, complexa por natureza, mas que tem objeto, método
e terminologia próprios.

Biografia do Autor

Azor Lopes Silva Júnior, Câmara Municipal de São José do Rio Preto, Diretoria-Geral

Doutor em Sociologia (UNESP-FCLAr), com pós-doutorado em hermenêutica jurídica (UNESP-IBILCE-Departamento de Letras), Mestre em Direito Público
(UNIFRAN, 2005), Especialista em Direito (UNESP/FAPERP,1998), graduado em Direito (FIRP,1990); é Especialista em Segurança Pública (Pontifícia Universidade
Católica do Rio Grande do Sul, 2007). Pelo sistema de ensino militar (Art. 83 da LDB e Lei Complementar Estadual [SP] nº 1036, de 11 de janeiro de 2008) titulouse
Doutor (APMG, 2008), Mestre (CAES, 2005) e graduado (APMBB, 1984) em Ciências Policiais de Segurança e Preservação da Ordem Pública. É Advogado,
Professor Universitário (bacharelado e pós-graduação em Direito), Avaliador integrante do Banco de Avaliadores do Sistema Nacional de Avaliação da Educação
Superior (INEP-MEC), Presidente do Instituto Brasileiro de Segurança Pública - IBSP (ibsp.org.br) e Coronel da Reserva Remunerada Polícia Militar do Estado de São
Paulo.

Referências

AGRA, C. Separata de estudos em comemoração dos cinco anos da Faculdade de Direito da Universidade do Porto: Elementos para uma Epistemologia da Criminologia.

Coimbra: Coimbra Editora, 2001.

ALVARÉZ, J. E. S. Avanços na Ciência Policial na América Latina. Revista Brasileira

de Ciências Policiais (ISSN 2178-0013), Brasília, v. 1, n. 1, p. 21-80, jan - jun. 2010.

Disponível em: https://periodicos.pf.gov.br/index.php/RBCP/article/view/29. Acesso

em: 23 nov. 2020.

BICALHO, P. P. G.; KASTRUP, V.; REISHOFFER, J. C. Psicologia e segurança pública:

invenção de outras máquinas de guerra. Psicologia Social, Belo Horizonte, v. 24, n. 1,

p. 56-65, abr. 2012.

BOURDIEU, P. La spécificité du champ scientifique et les conditions sociales du progrès de la raison. Sociologie et Sociétés, Montréal, v. 7, n. 1, p. 91-118, 1975.

BOURDIEU, P. O campo científico. In: ORTIZ, R. A sociologia de Pierre Bourdieu. São

Paulo: Olho d’Água, 1976. p. 112-143.

BRANDÃO, Z. Indagação e convicção: fronteiras entre a ciência e a ideologia. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, v. 40, n. 141, p. 849-856, dez. 2010.

BRASIL. Parecer CNE/CES nº 147/2017. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/

docman/maio-2017-pdf/65331-pces147-17-pdf/file. Acesso em: 23 nov. 2020.

BRASIL. Parecer CNE/CES Nº 945/2019. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/

docman/dezembro-2019-pdf/132881-pces945-19/file. Acesso em: 23 nov. 2020.

GOLDSTEIN, H. Policiando uma sociedade livre. Tradução de Marcello Rollemberg.

Série Polícia e Sociedade, n. 9. São Paulo: EdUSP, 2003.

GOMES, P. V. A actividade policial como ciência. Revista Brasileira de Ciências Poli- ciais (ISSN 2178-0013), Brasília, v. 1, n. 2, p. 105-125, jul.-dez. 2010. Disponível em:

https://periodicos.pf.gov.br/index.php/RBCP/article/view/44. Acesso em: 23 nov.

GREENE, J. R. Administração do Trabalho Policial: questões e análises. São Paulo:

EdUSP, 2002.

INSTITUTO BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA. Departamentos de Pesquisa. 2019. Disponível em: http://ibsp.org.br/orgaos-de-direcao/departamentos-de-pes- quisa/. Acesso em: 23 nov. 2020.

KUHN, T. S. A estrutura das revoluções científicas. 5. ed. São Paulo: Perspectiva S.A,

MORAES, E. J.; BIGNOTTO, N. Hannah Arendt: diálogos, reflexões, memórias. Belo

Horizonte: UFMG, 2001.

MORIN, E. Por uma reforma do pensamento complexo. In: PENA-VEJA, A.; ALMEIDA, E.

P. (Org.). Tradução Márcia Cavalcanti Ribas. O pensar complexo: Edgar Morin e a crise

da modernidade. Rio de Janeiro: Garamond, p. 21-34. OMNÉS, R. Filosofia da ciência contemporânea. São Paulo: UNESP, 1996.

POPPER, K. R. Autobiografia intelectual. 2. ed. São Paulo: Cultrix, 1986.

SILVA JÚNIOR, A. L. O modelo brasileiro de segurança pública e a 1ª Conferência

Nacional de Segurança Pública. 2014. 274 f. + CD. Tese (Doutorado) – Universidade

Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Faculdade de Ciências e Letras (Campus

de Araraquara), 2014. Disponível em: http://hdl.handle.net/11449/115772.

Downloads

Publicado

2021-08-24

Como Citar

Silva Júnior, A. L. . (2021). Ensaio sobre a luta das ciências policiais no campo científico: um estudo comparado. Revista Do Sistema Único De Segurança Pública, 1(1). Recuperado de http://revistasusp.mj.gov.br/susp/index.php/revistasusp/article/view/35

Edição

Seção

Ensaio