A impopularidade das corregedorias

projeção da sombra ou solidariedade? A imagem das Corregedorias Policiais

Autores

Palavras-chave:

impopularidade das corregedorias;, Policiais Corregedores;, controle interno.

Resumo

Este estudo aborda os aspectos que permeiam a atividade profissional dos policiais corregedores, sob os conceitos de “solidariedade” de Durkheim e de “sombra” de Jung. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa de revisão bibliográfica. Exploraram-se as abordagens sobre a impopularidade das corregedorias e as dinâmicas conceituais que envolvem
a atividade policial. Os resultados iniciais afirmam que a corregedoria é compreendida
como unidade repressora de atos ilegais produzidos por funcionários públicos, que carrega a impopularidade como característica intrínseca e figura como fenômeno sociológico
contemporâneo. Nessa perspectiva, identifica-se que os olhares críticos lançados sobre a
corregedoria provêm dos investigados e de grande parte do corpo policial, que registram
seu sentimento pessoal negativo em relação aos componentes do órgão fiscalizador. O
sofrimento no trabalho policial, caracterizado pela constante exigência de combate heroico aos males da sociedade, une os indivíduos da organização de forma peculiar. Apurar e
punir desvios são tarefas essenciais à estabilidade do Estado em seu exercício funcional.
O Estado deve expurgar condutas não condizentes com seu principal objetivo: agir em
razão e para a sociedade, mediante uso dos devidos processos legais, corolários do sistema democrático. Conclui-se que as abordagens suscitadas não esgotam o tema e, portanto, não seriam a “solidariedade” e a projeção da “sombra” os únicos eventos sociológicos
responsáveis pela impopularidade das corregedorias. Sugere-se o desenvolvimento de
pesquisa de campo, para fomentar novos elementos que contribuam para a interpretação
do fenômeno da impopularidade das corregedorias, inclusive para a construção de novos
modelos de controle interno.

Biografia do Autor

Tânia Maria Ferreira Fogaça, Departamento de Polícia Federal

Graduada em Direito pelo Centro Universitário FIEO (1999) e pós-graduada em Direito Constitucional pela Universidade do Sul de Santa Catarina - Unisul (2010).
Atualmente é Delegada de Polícia Federal, exercendo as funções de Superintendente Regional da Polícia Federal no Estado do Rio Grande do Norte e Professora,
Conteudista e Tutora de cursos de formação e aperfeiçoamento profissional ministrados pela Academia Nacional de Polícia (ANP/PF). Foi Coordenadora Operacional
do Centro de Cooperação Policial Internacional da World Cup FIFA 2014 e integrou o Grupo de Trabalho que idealizou o Inquérito Policial Eletrônico da Polícia
Federal (ePol). Atua na área de Direito, com ênfase em Polícia Judiciária, principalmente nos seguintes temas: Crimes Econômicos, Cooperação Internacional,
Assuntos Internos e Organizações Criminosas.

Referências

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Publicado

2021-08-24

Como Citar

Ferreira Fogaça, T. M. . (2021). A impopularidade das corregedorias: projeção da sombra ou solidariedade? A imagem das Corregedorias Policiais. Revista Do Sistema Único De Segurança Pública, 1(1). Recuperado de http://revistasusp.mj.gov.br/susp/index.php/revistasusp/article/view/23

Edição

Seção

Ensaio