Abordagens simplificadas para estimativa de velocidade em acidentes de trânsito
DOI:
https://doi.org/10.56081/6jr3n544Palavras-chave:
perícia, acidente de trânsito, velocidade média, deformação máxima, métodos simplificadosResumo
A estimativa da velocidade de veículos envolvidos em acidentes é elemento central da criminalística, com impacto na determinação de responsabilidades e na adoção de medidas preventivas. Porém, em muitos cenários, a ausência de marcas ou registros visuais dificulta a aplicação de métodos baseados na conservação do momento linear ou da energia mecânica. Este artigo explicita métodos para estimativa de velocidade, acessíveis em contextos com recursos limitados: análise de vídeo, marcas de frenagem e deformação máxima. O primeiro método utiliza registros de vídeos, com base na distância percorrida e na taxa de quadros do vídeo, estudos indicam margens de erro entre 3% e 8%, dependendo da qualidade do registro e da calibração espacial. O segundo se baseia na análise de marcas de frenagem, aplicando o movimento retilíneo uniformemente retardado (MRUR) e relacionando a energia cinética com o trabalho da força de atrito. O erro médio deste método varia entre 5% e 10%, considerando o uso de coeficientes de atrito tabelados e condições de pista. O terceiro método, desenvolvido como abordagem inovadora, utiliza a deformação máxima do veículo para calcular a velocidade inicial. Apresenta erro entre 5% a 12%, com potencial de refinamento mediante calibração experimental. Este método destaca-se por oferecer solução em cenários complicados, aumentando a aplicabilidade pericial em acidentes complexos. Assim, nesse trabalho, é demonstrado que métodos simplificados, especialmente aquele baseado em deformação máxima, podem fornecer estimativas confiáveis de velocidade média, democratizando o acesso à perícia técnica trazendo robustez para o laudo e aprimorando os profissionais e as práticas forenses.
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