Relação entre fadiga e sinistros de trânsito no transporte rodoviário brasileiro

Autores

  • Victor Giovanni Pina de Mello Polícia Rodoviária Federal
  • Jeferson Almeda Moraes
  • Marina Leiko Higa

DOI:

https://doi.org/10.56081/dg9hr069

Palavras-chave:

fadiga do motorista, sinistros de trânsito, lei do descanso, segurança viária, saúde ocupacional

Resumo

Este estudo analisa a correlação entre a violação da Lei do Descanso (Lei 13.103/2015) e a ocorrência de sinistros de trânsito no transporte rodoviário brasileiro, inserindo-se no contexto da segurança viária e saúde ocupacional. O objetivo consiste em avaliar o impacto da fadiga e da desobediência regulamentar na severidade dos acidentes envolvendo veículos de carga e transporte coletivo de passageiros. A metodologia empregada baseou-se em uma análise técnico-estatística de dados de sinistros e laudos periciais de campo, referentes ao período de janeiro de 2024 a outubro de 2025, além do confronto com normas internacionais da União Europeia e da OIT. Entre os resultados da pesquisa, demonstra-se que a desobediência à legislação está relacionada a 65,58% do volume total de ocorrências com veículos obrigados ao uso de cronotacógrafo. Constatou-se também que a falha cognitiva atua como principal causa técnica para o grupo infrator, sendo a soma de "reação tardia" e "ausência de reação" responsável por 30,71% desses eventos. Adicionalmente, verificou-se que 79,49% das mortes associadas à falha de condução e adormecimento ocorrem durante a plena noite e o amanhecer, com o pico de letalidade concentrado às 5 horas da manhã, evidenciando o risco fisiológico extremo do vale circadiano. Conclui-se que a manutenção rigorosa da lei é um requisito mínimo de segurança pública, visto que a deterioração do desempenho do condutor inicia-se após apenas duas horas de condução. Qualquer flexibilização normativa representaria um retrocesso perigoso, aumentando o risco de fatalidades e o uso de substâncias estimulantes para compensar o déficit de sono.

Biografia do Autor

  • Victor Giovanni Pina de Mello, Polícia Rodoviária Federal

    Policial Rodoviário Federal desde 2021. Doutor e mestre em Física pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Especialista em Ciências Policiais pelo Instituto Federal do Espírito Santo (IFES), em Matemática pelo Instituto Federal de Goiás (IFG) e em Docência no Ensino Superior pelo Centro Universitário UNISEB. Foi professor substituto da UFG entre 2018 e 2020. Possui trajetória acadêmica na área de Física e Matemática, articulada à atuação profissional na Polícia Rodoviária Federal e à formação em ciências policiais. E-mail: victor.mello@prf.gov.br.

  • Jeferson Almeda Moraes

    Coordenador-Geral de Segurança Viária da Polícia Rodoviária Federal desde 2023 e Policial Rodoviário Federal desde 1994. Graduado em Engenharia Civil pela Universidade Estadual de Feira de Santana. Especialista em Engenharia de Tráfego e Segurança Viária, com MBA em Práticas de Gestão na Administração Pública. Possui também especializações em Avaliação e Perícia de Imóveis e em Gestão em Negócios Imobiliários, além de formação em andamento em Engenharia Diagnóstica, Patologia, Desempenho e Perícias na Construção Civil. Possui ampla trajetória na Polícia Rodoviária Federal, com atuação destacada em segurança viária, gestão pública, engenharia de tráfego e perícias. E-mail: jeferson.moraes@prf.gov.br.

  • Marina Leiko Higa

    Chefe do Serviço de Perícia e Registro de Sinistros da Polícia Rodoviária Federal desde 2021 e Policial Rodoviária Federal desde 1999. Graduada em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Mato Grosso e em Direito pelo Instituto Cuiabano de Educação. Especialista em Perícia de Acidentes de Trânsito pela Universidade Federal de Mato Grosso e pelo Instituto Federal de Santa Catarina. Possui especializações em Educação Transformadora e em Formação Docente para Educação a Distância. Realizou curso em Reconstrução Analítica de Acidentes de Tráfego pelo Centro de Entrenamiento de Investigación y Reconstrucción de Accidentes de Tránsito (CEIRAT), na Argentina. Possui trajetória profissional destacada na perícia de sinistros de trânsito, segurança viária, engenharia civil, direito e formação profissional. E-mail: marina.higa@prf.gov.br.

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Publicado

03-07-2026

Edição

Seção

Artigos

Como Citar

Relação entre fadiga e sinistros de trânsito no transporte rodoviário brasileiro. Revista do Sistema Único de Segurança Pública, Brasília, Brasil, v. 6, n. 2, p. 206–235, 2026. DOI: 10.56081/dg9hr069. Disponível em: https://revistasusp.mj.gov.br/susp/index.php/revistasusp/article/view/1144. Acesso em: 4 jul. 2026.

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