A escuta de mulheres vítimas de violência sexual como dispositivo intersetorial de prevenção do feminicídio

Autores

  • Valéria Raquel Alcantara Barbosa Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa, Secretaria de Estado da Saúde do Piauí| Associação Reabilitar

DOI:

https://doi.org/10.56081/s7e0xx44

Palavras-chave:

escuta, violência de gênero, violência sexual contra a mulher, feminicídio, intersetorialidade

Resumo

O atendimento de mulheres em situação de violência pressupõe uma escuta sensível, respeitosa, dialética, não revitimizadora; abalizada na atenção genuína, na alteridade, no encorajamento, na defesa intransigente dos direitos humanos e no empoderamento feminino. Este artigo investiga os sentidos imanentes à escuta de mulheres vítimas de violência sexual, como dispositivo estratégico de atuação na rede intersetorial de atendimento, com vistas à prevenção do feminicídio. Para tanto, realizou-se uma revisão narrativa da literatura, de caráter descritivo e abordagem qualitativa. O levantamento bibliográfico ocorreu no mês de maio do ano 2026, através da apreciação de 23 materiais, abrangendo artigos publicados em periódicos indexados (21), e-book (1) e capítulo de livro (1), extraídos das bases de dados Cambridge Core, Dialnet, Google Scholar, Periódicos CAPES, Springer Nature, Scielo e Scopus, publicados no período compreendido entre 2022 e 2026. Considerando as idiossincrasias das evidências compiladas, sistematizaram-se os achados em três eixos temáticos: (1) violência sexual e tentativa de feminicídio - magnitude, danos e riscos associados; (2) do silêncio à escuta centrada na vítima-sobrevivente, em favor da amplificação de vozes; e (3) pesquisa e inovação em tecnologias assistenciais para escuta de vítimas de violência sexual e tentativa de feminicídio. Afinal, atesta-se que o enfrentamento da violência sexual e do feminicídio conclama abordagem que coadune prevenção, educação para a igualdade de gênero, qualificação das instituições e fortalecimento das condições materiais de autonomia das mulheres; implica, igualmente, a legitimação das narrativas das sobreviventes como fontes de conhecimento social e político, potentes para desafiar estruturas de opressão historicamente consolidadas.

Biografia do Autor

  • Valéria Raquel Alcantara Barbosa, Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa, Secretaria de Estado da Saúde do Piauí| Associação Reabilitar

    Doutora em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca da Fundação Oswaldo Cruz (ENSP/Fiocruz) e mestra em Ciências e Saúde pela Universidade Federal do Piauí (UFPI). Psicóloga (CRP-21/00373) e psicóloga de referência do Serviço de Atendimento a Mulheres Vítimas de Violência Sexual (SAMVVIS) da Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa, em Teresina (PI). valeryalca@gmail.com

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Publicado

31-08-2026

Como Citar

A escuta de mulheres vítimas de violência sexual como dispositivo intersetorial de prevenção do feminicídio. Revista do Sistema Único de Segurança Pública, Brasília, Brasil, v. 7, n. 1, p. 184–203, 2026. DOI: 10.56081/s7e0xx44. Disponível em: https://revistasusp.mj.gov.br/susp/index.php/revistasusp/article/view/1460. Acesso em: 1 set. 2026.

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